Nos dirigimos ao Poder Judiciário, à Anatel, ao poder público e às operadoras de telecomunicações.
Em uma eleição, não basta garantir que todos possam votar. É preciso garantir que todos tenham condições de escolher livremente em quem votar, e isso só é possível com
pleno acesso à informação.
Hoje, para milhões de brasileiros, a internet simplesmente não dura até o fim do mês. E ela acaba primeiro para quem tem menos: quanto menor a renda, maior o período de desconexão.
A profunda desigualdade social brasileira converteu-se em desigualdade de acesso à internet e, por consequência, à informação.
Quando os dados acabam, não desaparece apenas o entretenimento. Ficam mais difíceis o acesso a serviços públicos, financeiros, à saúde e, principalmente em uma eleição, à informação e ao jornalismo profissional.
Existe ainda uma distorção mais grave: quando a franquia acaba, a internet aberta pode fechar enquanto determinadas plataformas estrangeiras continuam acessíveis sem consumir dados. Os brasileiros não ficam presos fora do ambiente digital,
mas presos dentro da pior parte dele
, onde algoritmos privados decidem o que aparece e o que ganha alcance.
Não podemos aceitar uma democracia em que a renda determine por quanto tempo alguém pode se informar, nem em que acordos comerciais entre operadoras e plataformas definam quais portas da internet continuam abertas.
Quem controla a porta de acesso à informação acumula poder sobre a formação da vontade política.
Defender a soberania brasileira não é apenas controlar o território.
Soberania é garantir que o povo possa formar livremente sua vontade.
Por isso, demandamos que o Poder Judiciário, a Anatel e o Poder Público adotem medidas urgentes para
garantir aos eleitores brasileiros acesso pleno à internet e à informação durante as eleições gerais de 2026
.